Há alguns meses, publiquei neste espaço um estudo sobre a destinação da Fazenda Rodeio, de propriedade da Companhia Suzano de Papel e Celulose.
Nós, mogianos, nos habituamos a ver o legado de nossa Cidade simplesmente destruído em nome do progresso (que não me deixem mentir, por exemplo, a substituição paulatina de nosso casario colonial por construções erguidas em seu lugar por falta de leis municipais de preservação do patrimônio arquitetônico-cultural de Mogi das Cruzes, além, é claro, do abandono a que está sentenciado o Casarão do Chá, à espera, conforme desejam muitos de nossos governantes, que desabe para que dê espaço a algum empreendimento mais "lucrativo")
Agora, nós, e somente nós mogianos que, com nosso esforço diário, fizemos a história desta Cidade, podemos nos mobilizar, criar definitivamente a autoconfiança de que nossas reivindicações, democraticamente conduzidas, poderão reverter qualquer decisão política ao que mais convenha às nossas aspirações de amantes do que ainda resta de belo em Mogi das Cruzes.
Obviamente, assistindo ao descaso das administrações públicas que, sabe se lá como, consentiram a ocupação imobiliária ou mesmo clandestina de morros circunvizinhos à Serra do Itapeti, não gostaríamos nem um pouco que a Fazenda Rodeio, uma ampla área de mata que se estende do Jardim Maricá a Sabaúna e que os planos da Companhia Suzano de Papel e Celulose, proprietária dessas terras, transformariam em um loteamento imobiliário onde 147.000 pessoas seriam assentadas, ficasse restrita a uma reserva bem menor de mata que nada lembraria o paradisíaco lugar que até hoje a distingue como uma das mais exuberantes paisagens de Mogi das Cruzes.
Entendamos o que se passa por trás dos planos da Companhia Suzano de Papel e Celulose – a floresta da Fazenda Rodeio, de mata de eucalipto, esgotou sua possibilidade de gerar madeira de corte para a obtenção de celulose, matéria-prima para a fabricação do papel, com os sucessivos cortes exauriu seu potencial de aproveitamento, assim, a gigante do papel simplesmente quer se livrar da Fazenda Rodeio permitindo sua incorporação imobiliária.
Entretanto, se para a geração de celulose a Fazenda Rodeio não mais supre as expectativas, ecologicamente falando sua mata é um verdadeiro santuário que aloja ecossistemas conjugados à própria Serra do Itapety, sua vizinha. Além disso, se ocorrer a incorporação imobiliária da Fazenda Rodeio, fatalmente virá o desmatamento mais brutal já assistido em Mogi das Cruzes, com consequências extremamente adversas para o clima. Senão, lembremos que, durante a noite e a madrugada, através do fenômeno da fotossíntese, a mata da Fazenda Rodeio funciona como um gigantesco pulmão, que, ao amanhecer, satura a atmosfera de Mogi das Cruzes de oxigênio puro, vital para nossa respiração.
Quem, como eu, passou pelo sufoco do terrível calor que assolou nossa Cidade, sabe que sem a mata da Fazenda Rodeio a temperatura seria 4ºC a 5 ºC maior durante o dia, levando ainda mais pessoas a óbito. A Companhia Suzano pode perfeitamente reavaliar seu projeto, dando uma infraestrutura turístico-hoteleira à Fazenda Rodeio.
Enquanto cobramos uma postura de solidariedade ao meio-ambiente da Companhia Suzano, proponho aos caros leitores uma vigília – penduremos durante uma semana bem à vista de todos em nossas janelas uma toalha, verde, se possível, ou, na falta desta, azul ou branca. O importante é participar pela Fazenda Rodeio das futuras gerações!