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  • 17.jun.2009     Redação
    Apontadas prioridades para idoso

    LÍVIA DE SÁ

    Para os membros da terceira idade da Cidade, o Índice Futuridade, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Assistência Social, mostrou uma realidade com a qual eles já estão familiarizados. Cada um com suas devidas particularidades elegeu as prioridades a serem trabalhadas no Município visando à melhoria no atendimento aos idosos. No rol de itens a serem adequados, eles citaram desde questões estruturais, como a precariedade das calçadas de Mogi, até a contradição que existe entre o aumento da expectativa de vida do brasileiro e a falta de uma cultura que valoriza o envelhecimento saudável.

    A psicóloga educacional Geraldina Porto Witter, 75 anos, lembra que a velhice mais avançada é um fenômeno recente na cultura brasileira, e é necessária uma atualização de estruturas físicas e mentais para garantir a qualidade de vida dos idosos. Ela frisa que a sociedade atual não está preparada para envelhecer, porém é fundamental pensar não só na terceira idade de hoje, como também na de amanhã. Isto é, quebrar o paradigma de que a juventude tem de ser eterna e capacitar o idoso, a família e a sociedade para lidar com os mais velhos.

    "Isso é uma questão de reeducação, que tem de ser passada desde a pré-escola. Fazemos uma campanha de que todos têm de ser jovens para sempre, só que este não é o ciclo da vida. Chega uma hora em que você vai depender dos outros e é preciso estar pronto para isso. É importante que haja movimentos educacionais e cursos propiciados pelo governo neste sentido. Se as coisas forem bem feitas e houver investimentos, isso se reverterá em economia de gastos mais tarde, pois os idosos participarão por mais tempo da vida social".

    No que se refere à estrutura da Cidade, Geraldina aponta o quesito de locomoção como uma das grandes falhas do Município. Ela lembra, por exemplo, do hábito dos motoristas de parar o ônibus quase no meio da rua, o que quase inviabiliza o embarque do idoso, e também a falta de respeito com os assentos reservados para a terceira idade. "Hoje um jovem cedendo espaço para o idoso em um veículo coletivo é cena rara. Seja no ônibus, no trem ou no subúrbio", conclui.

    Aos 75 anos e reconhecido por seu trabalho junto ao Coral 1º de Setembro, Antônio Freire Mármora, o maestro Niquinho, enumerou três questões que atrapalham o dia-a-dia do idoso em Mogi: a dificuldade de locomoção, a carência de espaços públicos adequados, e de um melhor atendimento em redes bancárias. Ele reconhece a existência de iniciativas no sentido de aprimorar a atenção à terceira idade, mas frisa que ainda há muito a se fazer. "Faltam praças com melhores acomodações, calçadas com melhores condições, uma sinalização e trabalho de orientação mais fortes em locais como terminais de integração. O problema das calçadas, especificamente, é crônico, porque a largura delas já é pequena e ainda há postes de luminárias no meio. A locomoção fica muito difícil".

    A falta de tolerância dos mais jovens com os mais velhos é outro fator abordado pelo maestro. Ele fala ainda sobre o crescimento da população idosa e salienta que o poder público e a sociedade precisam estar atentos a isso.

    O engenheiro e ex-secretário de Obras, Jamil Hallage, 83 anos, cita a falta de cuidados com a maioria das praças públicas da Cidade. Uma que, a seu ver, deveria servir como exemplo, é a Francisca de Mello Freire (dos Enfartados), que fica no Parque Monte Líbano e é mantida pela Valtra. "Na periferia, por exemplo, você não vê nada neste estilo. Não há um jardim ou uma praça para que os idosos possam se reunir, em clima agradável, e jogar conversa fora", diz.

    Lembrando que a maior parte dos idosos anda a pé, ele também destaca o problema das calçadas, argumentando que elas impossibilitam um deslocamento tranquilo e seguro de pessoas de todas as idades, mas em especial da terceira idade. "Volta e meia o poder público faz campanhas para melhorar as calçadas, mas nunca conseguiu se chegar a um estágio ideal. Meia dúzia de pessoas conserta, mas a grande maioria continua ruim. Além disso, sempre há aqueles que acham que a calçada é propriedade deles, então põem uma rampa para acesso de carros, criando um desnível e limitando ainda mais o espaço", aponta.

    Em breve, a Prefeitura Municipal colocará em prática um projeto de revitalização do Centro da Cidade, que pode amortizar parte dos problemas relatados pelos entrevistados. Vias estreitas e movimentadas serão convertidas em calçadão, calçadas para passeio serão ampliadas, terão postes de iluminação retirados e rampas de acessibilidade implantadas.

     

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